O que é que há de oculto nas faces que (não) dizem sê-lo. O que faríamos para desvelar o que, lido nos jornais, visto e ouvido nas televisões, tanto e tanto nos assusta? Se pudesse (o que quer dizer, se acreditasse) consultaria astrólogos, cartomantes e quiromantes.
Sou – somos todos, não somos? – como o cavaleiro que Georges de la Tour pintou nesta cena diurna e realista, nos antípodas da mínima luz das velas com que, noutros quadros, iluminou as mais negras noites. Também nós, como o jovem nobre de La Tour, nos entregamos, confiantes, à “diseuse de la bonne aventure”.
Tudo, no quadro, parece tão claro. E nada poderia ser mais obscuro. Basta passar do geral ao particular.
Há olhos que vigiam.
Há mãos engenhosas que trabalham.
Poderá um quadro de 1632 continuar a ser a parabóla feroz da oculta face que, de 2009, levará Portugal à segunda década do século XXI?




















Mas que pintura do camano!
Como toda a obra que se preza ser Arte, provoca em cada um de nós sentimentos interpretativos diferentes.
Onde MSF vê olhos que vigiam eu vejo olhares que assentem…
onde vislumbra mãos engenhosas que “trabalham” eu julgo perceber que compartilham… que se insinuam…