
Não gosto de domingos à tarde nem de chuva. Mas ontem à tarde dois rapazes de avental branco fizeram-me rir de tal forma que até me esqueci de que era domingo e de que estava a chover.
Não gosto de embustes mas gosto muito de alheira, aquele enchido que tem tanto de porco como eu de Heidi Klum, e que permitiu aos judeus manterem os chatos dos cristãos longe da porta.
Pois estes rapazes do avental branco passam uma hora e meia a falar da dita (da alheira, não da Heidi) como se estivessem a dissecar as obras de Nietzsche ou de Foucault. Para dizer a verdade, eles até falaram de Sócrates.
É uma hora e meia de pingue pongue delicioso sobre a arte, a inspiração, a imprevisibilidade e o azoto, aquele composto químico que faz a comida deitar fumo.
Imperdível para adeptos da cozinha molecular, chef’s armados ao pingarelho e gulosos (como eu). Tanto assim que mal saí do teatro, fui a correr jantar. Pena que não houvesse alheira…
P.S. — Quem quiser divertir-se e pensar um bocado (tudo misturado, como na Bimbi) pode ver O que se leva desta vida, até dia 21 de Novembro, no Teatro S. Luíz. Um conselho: marque um bom restaurante para depois da peça.

















Bom… se fala de Sócrates deve ser bom.
Curiosa associação: Nietzche, Focault…“Sócates, esse desconhecido”… bem, ele é enciclopédico (o grego, entenda-se, e não só?)…