Julieta e Nosferatu à parte, tendo a concordar com o Pedro. E, de facto, gosto disto. Mas se há tela que em rapaz me atazanava o espírito era esta. Mal sabia o meu pai, que naquele Sábado me levava pela mão, que começava ali, às Janelas Verdes, a minha primeira querela com Deus.


















Pedro: este é o quadro que mais admiro da pintura portuguesa. Li, já não sei onde, que está aqui o primeiro nú frontal feminino da pintura europeia. E o índio do Brasil a fazer de diabo? E o erotismo indisfarçável disto tudo, como se o Inferno fosse a ressaca de uma partouze? E o misterioso espelho no canto superior direito? E os monjes no caldeirão?
Também gosto muito Pedro, mesmo que não tenha a certeza de gostar mais do que do Ecce Homo do Pedro MS. Faz-me sobretudo pensar na diferença de olhares — de paradigmas — entre quem o pintou e quem, hoje, o vê. Como é que alguém, com tanto pormenor, tanto realismo, tão profusa acumulação de pormenores, pretendeu figurar sinais de sofrimento, de eterna condenação, onde hoje vemos lânguidos gestos, corpos que correríamos a apertar e acariciar, alguns dos melhores sinais de prazer para a vita brevis que enfrentamos? Medo de ontem, prazer de amanhã?
E a identidade dos autores destas histereses?
Conte mais um bocadinho desse sábado, Pedro. Sim?