Trans-República
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Milo Manara — La Métamorphose de Lucius

Imaginem um governador regional de um grande país europeu. Imaginem que quatro polícias o surpreendem em cuecas com um “trans” brasileiro, numa festa de cocaína e sexo num degradado subúrbio da capital. Imaginem que os ditos polícias filmam o evento com um telemóvel e conseguem durante meses, com isso, extorquir ao político grandes quantias de dinheiro. Imaginem que estes polícias, ao mesmo tempo, tentam vender o filme a uma agência, que por sua vez o tenta vender a uma conhecida revista de “gossip”. Imaginem que o director da revista refere a história, e mostra o dito filme, a uma amiga que é dona de uma grande editora e que por coincidência é filha do Primeiro-Ministro do dito país.

Imaginem agora um país, em que o Primeiro-Ministro é um homem que se diz estar ligado a inúmeros crimes de corrupção e que se sabe estar envolvido em diversos escândalos ligados a uma vida privada embaraçante. Imaginem que este recebe uma visita da filha, que lhe mostra um vídeo de um político de uma força partidária adversária, numa situação que consegue ser ainda mais embaraçante do que aquelas em que o próprio se tem visto envolvido. Imaginem para terminar, que o Primeiro-Ministro telefona ao dito político, avisando-o que corre pelos meios jornalísticos um filme que lhe pode destruir a carreira e dando-lhe depois e gentilmente, o contacto da agência que o possui para que o mesmo o possa comprar por uma soma aceitável.

Este é o país em que vivo. Uma espécie de trans–República, feita de “gossip”, chantagens e contra-chantagens, políticos “on drugs”, cuecas e silicone, “partouzes” de casa de banho, vídeos incómodos e “escorts” de luxo. Uma paródia àquilo que um país como a Itália deveria e poderia ser. Uma festa, que só não é mais divertida porque se faz por debaixo de um céu escuro e macabro que parece testemunhar o fim de tudo aquilo que é civilizado e inteligente.

Não sou, nem nunca fui um moralista, mas não há nada que me faça rir em tudo isto. A sensação que por vezes tenho, é aquela de viver dentro da casa do “Big Brother”, na companhia de um “cast” de milhões de tristes e deprimentes figuras.

PS: O governador demitiu-se e recolheu-se num convento. Por caridade divina, o filme não foi publicado e os quatro polícias estão na cadeia. A comunidade “trans” passeia-se pelos diversos canais de televisão que por sua vez entraram colectivamente em êxtase. Até ao momento da publicação deste “post”, o Primeiro-Ministro continua a governar esta espécie de República, nos intervalos do extenuante trabalho de tentar salvar a sua pele e a daqueles que, como ele, a têm grossa.


Peço desculpa por trazer tudo isto para as elegantes páginas do nosso blogue. Culpem a minha indignação.

Comentários a “Trans-República” (3)

  1. Pedro Norton diz:

    Vasco: estás a querer ilegalizar o silicone?

  2. Carlinhos diz:

    Podia ser um relato deste rectângulo á beira mar plantado.….

  3. manuel s. fonseca diz:

    Ainda dizem que esse trans-primo-minitro não é amigo. Amigo do seu amigo e amigo do seu inimigo. E depois venham dizer-me que Portugal é que é uma aldeia em que todos se conhecem.

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