A propósito dos eleitorais ufff! ufff! do Pedro e do Zé, há um fantástico e lindíssimo poema de Yeats no qual um aviador irlandês, antevendo a sua morte, nos ilumina com estes versos:
Those that I fight I do not hate
Those that I guard I do not love.
Ninguém resumirá melhor o estado de espírito de muitos lisboetas perante o resultado das eleições de ontem. Incluo-me entre eles.
Tenho ouvido de tudo e mais um par de botas sobre Santana Lopes. Mas não consigo não gostar da sua coragem política, da lisura do seu trato com apoiantes, mas sobretudo com adversários. É um sobrevivente, tem dinâmica, tem ideias e consegue dar esprit de corp às equipas que reúne.
António Costa, pelo contrário, gerou boa imprensa e conseguiu o milagre diplomático de juntar no mesmo saco, em co-existência pacífica, uma série de gatos assanhados que recolheram gentilmente as garras. Antes governara Lisboa contando tostões, oxigenando a tesouraria e saneando as finanças. É o que dizem e que credulamente (também ninguém aguenta estar sempre a pau!) aceitamos. Mas é preciso ser-se muito ingénuo para não perceber que as curvas desta loira (salvo seja!) anunciam muita chatice. Conseguirá governar como quer e promete quando, atravessando o Tejo, levar os escorpiões às costas? Será que para conseguir serenar as diferenças e potestades que o rodeiam vai ter de bloquear acções e promessas?
Bem dizia Yeats:
Não odeio aqueles que combato
Não amo aqueles que defendo.
















Apesar dos muitos erros que cometeu, gosto do Santana Lopes! E muitas das justificações são expressas no post pelo que não as irei repetir. Também não tenho grandes dúvidas em afirmar que há um certo ódio infundado e uma perseguiçãozinha mesquinha à pessoa em causa. Houvesse coerência e o que não se diria de muito boa gente que por ai anda. É como diz o ditado, “mais vale cair em graça do que ser engraçado”!
Em relação ao Costa, senhor todo poderoso com uma campanha séria e digna, provavelmente terá de oferecer mais umas “bicicletas” para manter aquela manta de retalhos a pedalar toda junta na CML!
Santana Lopes é uma pessoas voluntariosa e incorrupta. Dizem que também um prolífico pai. Não lhe reconheço mais qualidades.
António Costa sempre é mais completo.
Ora governar a bestial “Cambra” de Lisboa, não requer as mesmas virtudes que organizar um chá. Sou do Sporting e tenho memória, não me esqueci do rosário de trapalhadas de SL por onde passou.
Nem faço o género de Salomão de sofá.
Oi Zé, não são más as qualidades que reconheces a Santana. Não descortino é o alcance semântico da expressão “é mais completo”, mas também é verdade que não atinjo muito Wittgenstein.
Ah, e sabes que também se podem sentar certezas no sofá, não sabes? Desgraça, falta-me esse conforto!