Espanholas e dores de barriga

Sei bem que o Manuel e o Zé Navarro implicam com os ataques de incontinência barroca do homem. Não neguem. Foi num jantar bem regado em Cannes e atirámos cineastas à cara uns dos outros. Tudo para vocês impressionarem umas espanholas. Mas o repasto já lá vai e não é o Greenwayay que quero discutir. Não volto a repetir que o Belly of an Architect é o seu melhor filme. Passem-me o tinto que o resto é cinema. Nem tão pouco invoco, entre dois escargots, a grandeza do Dennehy. Porque sei bem vocês me respondem com o Rambo e eu não quero azedar os gastrópodes . Basta-me que ouçam o Mertens. Se na época existissem ipods eu dizia-vos as espanholas. A vingança serve-se fria.


09 The Belly Of An Architect



Comentários a “Espanholas e dores de barriga” (5)

  1. manuel s. fonseca diz:

    Belly of an architect é decerto o mais optimista dos filmes de Greenway. O protagonista só perde o que tinha a perder e que é exactamente tudo: mulher, filho, vida. Se me lembro da discussão e de gongóricas acusações, já não me lembro das espanholas, que só podem ser exaltado delírio do Pedro. Tenho uma reputação nacionalista a defender e, nessa matéria, a única concessão que me autorizo é um pé de dança no “La Chunga” onde, para dar algum calor à sua fria vingança, já o vi, caro Pedro, muito saleroso! Agora veja lá se me vai desmentir.

  2. Andreia Onofre diz:

    Sei que a batalha é privada mas venho imiscuir-me num dos campos. ;)
    Desde que na tela, me gusta las tragedias. Não vi Belly of an architect, mas lembro-me do Bebé de Macon ter sido o primeiro filme a fazer-me premir o stop, como se tivesse levado um real murro no estômago, dado por…Rambo e Greenaway num só filme.

    Gosto de um realizador com o preciosismo de compor imagens como pinturas renascentistas. Greenaway é dos meus favoritos, com Nyman e Drowning by numbers é uma das bandas sonoras que me faz, nem sei, faz-me sentir.

  3. Pedro Norton diz:

    Faz muito bem em imiscuir-se, Andreia! E veja o Belly para acabarmos com estes dois galifões!

  4. José Navarro de Andrade diz:

    Não me lembro das espanholas, nem de Greenaway nem de Mertens. Malditos comprimidos. Espera: Greenway não é aquele arquitecto que filma cada plano como quem dá uma cotovelada no espectador a interrogá-lo “tás a perceber as citações todas? Sou bom, não sou?” Sim, tenho uma vaga ideia.

  5. pedro marta santos diz:

    As espanholas não seriam, afinal, as “tigrezas”, mãe e filha, que arrombam a imaginação dos cannoises mais incautos? Perdoem-me meter foice (vade retro) em seara alheia, mas o Greenaway não é aquele doido varrido que queria ser pintor quando era pequenino mas a mãe só lhe ofereceu uma câmara Super 8? Obra-prima absoluta do desvario: “A Zed & Two Noughts”. Único filme (?) visível: “Dante TV” — pelo carácter assumidamente divagatório, sem falsas preocupações narrativas, é uma colagem audiovisual que vale a pena visitar.

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