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	<title>Comentários em: A verdade de Proust</title>
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		<title>Por: E o PPR do Louçã? &#171; É tudo gente morta</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2009/10/a-verdade-de-proust/comment-page-1/#comment-296</link>
		<dc:creator>E o PPR do Louçã? &#171; É tudo gente morta</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 23:48:35 +0000</pubDate>
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		<description>[...] vejo bem, caro Diogo, porque raio a «lóg­ica de mer­cado» tem de ser sinón­imo de «rentabil­i­dade [...]</description>
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		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2009/10/a-verdade-de-proust/comment-page-1/#comment-272</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 04:08:21 +0000</pubDate>
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		<description>Exacto. Haverá duplicidade mais desonrosa? Continuo a preferir as trocas medievais: levo o quadro, e tu pega lá vinte moedas, mais três galinhas e uma amante - ou o criadito com cara de anjo... Chegava-se a acordo e pronto. Agora paga-se por objectivos, acto impróprio e desajustado à criação. Porque subsidia o ICAM os filmes chatérrimos do Manoel de Oliveira? (que aprecio bastante como pessoa, diga-se de passagem) Porque é de bom tom, fica bem, PARECE bem. E os gastos telenoveleiros da RTP, que todos pagamos? Serão gastos culturais? E abrigar a colecção do Berardo pagando-lhe bem, ainda por cima?
Há muita coisa demasiado esborratada neste quadro, as linhas que ultrapassam a sua moldura só mostram jogos de interesses e prebendas de duvidosa funcionalidade. O Estado só apoia algo de que possa retirar lucro e - de preferência imediato, ou mediático, como muito bem diz.
Nos EUA, por exemplo, há fundações com grandes meios que apoiam artistas por elas detectados. 
Aqui não há nada, a não ser &#039;circo&#039;.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Exacto. Haverá duplicidade mais desonrosa? Continuo a preferir as trocas medievais: levo o quadro, e tu pega lá vinte moedas, mais três galinhas e uma amante — ou o criadito com cara de anjo… Chegava-se a acordo e pronto. Agora paga-se por objectivos, acto impróprio e desajustado à criação. Porque subsidia o ICAM os filmes chatérrimos do Manoel de Oliveira? (que aprecio bastante como pessoa, diga-se de passagem) Porque é de bom tom, fica bem, PARECE bem. E os gastos telenoveleiros da RTP, que todos pagamos? Serão gastos culturais? E abrigar a colecção do Berardo pagando-lhe bem, ainda por cima?<br />
Há muita coisa demasiado esborratada neste quadro, as linhas que ultrapassam a sua moldura só mostram jogos de interesses e prebendas de duvidosa funcionalidade. O Estado só apoia algo de que possa retirar lucro e — de preferência imediato, ou mediático, como muito bem diz.<br />
Nos EUA, por exemplo, há fundações com grandes meios que apoiam artistas por elas detectados.<br />
Aqui não há nada, a não ser ‘circo’.</p>
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		<title>Por: Diogo Leote</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2009/10/a-verdade-de-proust/comment-page-1/#comment-271</link>
		<dc:creator>Diogo Leote</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 23:50:02 +0000</pubDate>
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		<description>Caro António Eça, é verdade que ainda existem alguns resquícios dessa sombra, que podem inibir o artista (leia-se também a companhia de teatro ou a produtora de cinema, entre outros beneficiários de apoios) de morder a mão que lhe dá de comer. Mas a noção de mecenato, pelo menos em Portugal, já pouco ou nada tem a ver com o patrocínio das artes à la Medicis. Infelizmente, o mecenato no nosso país privilegia, acima de tudo, o apoio aos grandes acontecimentos mediáticos, que lhe garantem uma visibilidade que nenhuma mão cheia de artistas emergentes pode igualar. E não se substitui ao Estado no apoio à criação artística, simplesmente porque é o próprio Estado, ou directamente através das suas instituições públicas ou sob a veste de empresas de capitais públicos ou mistos, que dele acaba por beneficiar em muitos casos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro António Eça, é verdade que ainda existem alguns resquícios dessa sombra, que podem inibir o artista (leia-se também a companhia de teatro ou a produtora de cinema, entre outros beneficiários de apoios) de morder a mão que lhe dá de comer. Mas a noção de mecenato, pelo menos em Portugal, já pouco ou nada tem a ver com o patrocínio das artes à la Medicis. Infelizmente, o mecenato no nosso país privilegia, acima de tudo, o apoio aos grandes acontecimentos mediáticos, que lhe garantem uma visibilidade que nenhuma mão cheia de artistas emergentes pode igualar. E não se substitui ao Estado no apoio à criação artística, simplesmente porque é o próprio Estado, ou directamente através das suas instituições públicas ou sob a veste de empresas de capitais públicos ou mistos, que dele acaba por beneficiar em muitos casos.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: António Eça</title>
		<link>http://www.etudogentemorta.com/2009/10/a-verdade-de-proust/comment-page-1/#comment-262</link>
		<dc:creator>António Eça</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 23:16:04 +0000</pubDate>
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		<description>A este respeito relembro duas coisas: Daniel-Henry Kahnweiler, o grande &#039;marchand&#039; e promotor de Picasso e de muitos outros modernistas (que sempre afirmou comprar apenas o que gostava), e a sensação predominante de que as obras encomendadas por mecenas - sejam eles institucionais ou não - acabam sempre por surgir deformadas pela inevitável sombra lançada pela necessidade subliminar de agradar minimamente ao promotor. É claro que há excepções: a casa real inglesa encomendou a Lucien Freud um retrato de Isabel II, pagou-o à cabeça, e no fim levou com algo que, sendo fantástico como retrato, não é certamente nada que os clássicos patronos estivessem à espera.
O apoio directo à criação artística sempre deu resultados um pouco ambíguos - parece-me.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A este respeito relembro duas coisas: Daniel-Henry Kahnweiler, o grande ‘marchand’ e promotor de Picasso e de muitos outros modernistas (que sempre afirmou comprar apenas o que gostava), e a sensação predominante de que as obras encomendadas por mecenas — sejam eles institucionais ou não — acabam sempre por surgir deformadas pela inevitável sombra lançada pela necessidade subliminar de agradar minimamente ao promotor. É claro que há excepções: a casa real inglesa encomendou a Lucien Freud um retrato de Isabel II, pagou-o à cabeça, e no fim levou com algo que, sendo fantástico como retrato, não é certamente nada que os clássicos patronos estivessem à espera.<br />
O apoio directo à criação artística sempre deu resultados um pouco ambíguos — parece-me.</p>
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