Aubade

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 É só um facto da vida, um simples facto da vida. Morremos. Vamos morrer. Todos. Durante a noite. Amanhã, quando o sol começar a nascer.

Philip Larkin, talvez o maior poeta do século XX, escreveu sobre isso um poema estóico, quase tranquilo. Ouvi-lo, ouvir a forma serena como o diz no vídeo em baixo, sem pose teatral, sem o estampido com que tantas vezes se diz poesia, convoca, ao mesmo tempo, paz e medo. Uma paz árida, um medo frio.

ps — com estado de espírito larkiano, decidi emigrar. 4 dias noutra cidade. Deixo posts agendados (com um bocadinho de batota) e não respondo a ninguém. Sorry.

Comentários a “Aubade” (4)

  1. 4 dias é férias.
    Emigrar são 6 meses nú, mínimo.

  2. JP Guimarães diz:

    A propósito: “Because we don’t know when we will die, we get to think of life as an inexhaustible well. Yet everything happens only a certain number of times, and a very small number really. How many more times will you remember a certain afternoon of your childhood, an afternoon that is so deeply a part of your being that you can’t even conceive of your life without it? Perhaps four, five times more, perhaps not even that. How many more times will you watch the full moon rise? Perhaps 20. And yet it all seems limitless”. Paul Bowles

  3. Inez Dentinho diz:

    Que saudades. É por estas que vale a pena viver. Mesmo sabendo que o vale é provisório.

  4. cristina valente diz:

    por vezes os estados de espírito, sim porque são vários, entranham-se mais que o desejo ou a vontade. cravam-se na pele. em quatro dias cabem vários estados de espírito e em 4 estados de espírito cabe um dia, porque a intensidade com que se vive não tem de ser sinónimo de espaço ou de tempo. e num post de poucas linhas, cabe a alma, jorrando o que sente.

    bom regresso a casa, porque precisamos regressar!

    beijinho de saudades

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